Volume 2 — 2024
Carolina Bonfim
Editorial
O que nos urge agora? O que nos leva, como artistas, a nos debruçar sobre um campo/tema/fenômeno ou objeto determinado? Por que – ainda – continuamos fazendo arte, apesar dos contratempos, da precariedade incontável e dos malabarismos entre produzir e sobreviver? Talvez porque não exista outra forma. Artistas se debruçam, atuam e se posicionam sobre a urgência impulsionada pela rapidez das transformações tecnológicas, pela destruição dos ecossistemas, pelos desafios sociais e econômicos, pelo colapso de narrativas tradicionais e dominantes, pela marginalização de determinados grupos, pela luta por direitos civis, questões de raça, gênero, classe, sexualidade e espécie, bem como sobre a urgência de índole íntima, espiritual ou, como escreveu Manuel de Barros em Poesia Completa, sobre “a formiga ajoelhada na pedra”. Artistas buscam ativamente formas de intervir, questionar e propor novas maneiras de entender e transformar o mundo. Nesse sentido, a produção artística se torna um campo de obra simbólico, onde se recria o significado do passado e do vivido e se projeta na possibilidade de futuros outros.
Nesta edição da Investigação Experimental de Processos Artísticos, Ana Raquel Gonçalves Machado, Andrea Tedesco, João Pedro Ribeiro, Marcos Gomes, Coletiva Animalia, Danielli Mendes, Isabella Duvivier Souza e Robson Teixeira Porto nos regalam, através de relatos sensíveis, suas urgências. Os videoartigos nos convidam a entrar em suas casas, salas de ensaio, teatros, a acompanhar uma viagem de trem, a conhecer suas origens e a ir para a rua, como estratégias para mergulhar em seus processos de criação. A riqueza que reside na heterogeneidade das contribuições – nos seus modos de transmissão e identificação de procedimentos e mecanismos utilizados na criação de obras – fortalece, ao mesmo tempo que desafia, a prática artística como campo de estudo e produtor de conhecimento.
Agradecemos a implicação de todas as pessoas que participaram desta edição, que se permitiram aventurar na criação de uma obra para transmitir, por meio de imagens e sons, a engrenagem que as movimenta.
Imagem da capa da segunda edição: frame do videoartigo Manifesto de Danielli Mendes.